Saiba em qual metade você está
| Parte | A pergunta | De quem é a ideia |
|---|---|---|
| Do topo até "Como ler isto" | Qual mistura dá o melhor retorno para o risco que você aceita, olhando o que já aconteceu. | Harry Markowitz, 1952. Nobel de Economia em 1990. |
| Portfólio permanente, no fim | O contrário: se vier o que nunca veio, o que aqui dentro trabalha a seu favor. | Harry Browne, 1981; e o All Weather de Ray Dalio, 1996. |
Saber qual é qual é metade do trabalho. São teorias diferentes, e a tela diz de quem é cada uma em vez de misturar as duas num conselho só.
A ideia de Markowitz, em linguagem simples
O risco de uma carteira não é a média do risco das partes. Dois ativos que sobem e caem em momentos diferentes, juntos, arriscam menos que qualquer um deles sozinho.
Por isso a correlação (o quanto dois ativos andam juntos) é o ingrediente central. E por isso a tela de Correlação vem antes desta no menu.
Antes de qualquer conta, o preço de um ativo em dólar ou outra moeda vira reais pela PTAX do fim de cada mês, a cotação oficial do Banco Central. O risco do câmbio fica dentro do número. É a mesma regra da tela de Correlação, de onde vêm as séries que alimentam esta.
Os controles do topo
| Controle | Para que serve |
|---|---|
| Categoria · Tipo de ativo · Setor · Ativo | O nível da análise. Começa em Categoria, renda fixa contra renda variável, que é a decisão que mais muda o resultado. |
| A caixinha de filtro | Analisar dentro de um tipo só. |
| Limites por grupo | Teto e piso para cada grupo. Sem isso a conta pode sugerir 80% num único lugar: ótimo na matemática, insustentável na vida real. |
| Retorno esperado | O que você espera de cada grupo daqui para a frente. O padrão usa o passado; se você discorda, é aqui que diz. |
Fronteira eficiente
Procure a sua carteira no gráfico. Se ela está abaixo da curva, existe uma mistura com o mesmo retorno e menos risco, ou com o mesmo risco e mais retorno. Essa distância é o que a tela quer mostrar.
A curva é a fronteira eficiente: cada ponto dela é a carteira de menor risco para aquele retorno. O risco fica no eixo horizontal e o retorno, no vertical.
Risco e retorno de cada grupo
Use esta tabela para conferir de onde saiu cada número da fronteira. Uma linha por grupo, com o retorno médio, a oscilação e o peso atual.
Carteiras sugeridas
Duas propostas, lado a lado com a sua carteira de hoje:
| Carteira | O que ela busca |
|---|---|
| Mínima variância | A que balança menos, sem olhar retorno. É a escolha de quem quer dormir. |
| Maior Sharpe | A que mais rende para cada unidade de risco (é isso que o índice de Sharpe mede). É a escolha de quem aceita oscilar em troca de prêmio. |
Os botões Adotar como alvo gravam aquela mistura como o seu plano. Daí em diante, o resto do sistema mede a sua carteira contra ele.
Como a carteira saiu do plano
Escolha o período (mês, trimestre, semestre ou ano) e veja o quanto cada grupo se afastou do alvo.
Se uma classe subiu de 30% para 38% porque valorizou, a carteira saiu do plano sozinha. É esse o caso que pede rebalanceamento, ou seja, voltar às proporções do alvo. Peso que mudou porque você aportou é decisão sua, não deriva.
Rebalanceamento
Escreva quanto você tem para aportar no campo aporte disponível. A tela monta a ordem: quanto pôr em cada grupo para voltar ao alvo.
Com o campo vazio, ela mostra o desvio e o que seria preciso mexer.
Portfólio permanente
Ninguém sabe qual cenário vem. Harry Browne partiu daí: em vez de tentar acertar, cubra os quatro estados possíveis da economia e aceite ganhar pouco em três deles.
| Cenário | O que costuma proteger |
|---|---|
| Crescimento | Ações. |
| Recessão | Título longo. |
| Inflação | Ouro, e o que repassa preço. |
| Deflação ou aperto | Caixa. |
Um ETF em dólar trabalha no crescimento e também quando o real cai. Um FII de tijolo cresce, repassa inflação no aluguel e ainda apanha quando o juro sobe.
Repartir é o que dá sentido ao desvio da tabela. Se cada ativo caísse inteiro num cenário, quem escolheria o cenário seria quem programou o sistema, e não a realidade.
Os botões Alvo por cenário e Pesos por bloco deixam você ajustar quanto quer em cada estado e como cada bloco se reparte.
Para onde vai o próximo aporte
Escreva o valor e clique em Sugerir divisão.
Há duas abas. Só o que já tenho usa a sua carteira. Com a Seleção traz também as ações e os FIIs mais bem ranqueados da sua tela de Seleção que você ainda não tem.
Esta parte costuma frustrar, e com razão: a conta não escolhe papel. Para ela, dois ativos com o mesmo formato são a mesma coisa. Entre dois FIIs de logística ela não sabe escolher, e você sabe: olha vacância (quanto do imóvel está sem inquilino), contrato e preço sobre valor patrimonial.
Então ela resolve só quanto vai para cada formato. Um número por ativo pareceria mais preciso e seria só invenção.
Só compra, nunca venda. Vender para rebalancear paga imposto e corretagem para chegar onde o aporte chega de graça. O Tesouro Direto entra sempre na lista, porque é a única renda fixa que continua na prateleira.
Erros comuns nesta tela
A sugestão manda pôr quase tudo num grupo só
Falta limite. Use Limites por grupo e ponha um teto. A conta é fiel ao passado, e o passado às vezes premia demais um vencedor.
Aparece aviso de histórico insuficiente
A fronteira precisa de série de preços. Busque o histórico em Dados.
Adotei um alvo e me arrependi
Adote outro. O alvo é um número gravado, não um compromisso; trocar não apaga nada da sua carteira.
Minha reserva de viagem não aparece na alocação
É de propósito. Papel moeda marcado como reserva de viagem conta no patrimônio, mas fica fora da alocação. Dinheiro que já tem destino geraria uma ordem de rebalanceamento que você nunca vai executar.
As duas metades da tela sugerem coisas diferentes
É assim mesmo: elas fazem perguntas diferentes. Markowitz otimiza o que já aconteceu; o portfólio permanente se prepara para o que não aconteceu. Nenhuma das duas é a resposta; são dois pontos de vista.